Na Zona Sul de São Paulo, o sábado começou com Esperança enfrentando Caveirinhas. Só essa frase já parece invenção de quem gosta de contar histórias. Mas era futebol de verdade. E era também o primeiro capítulo de uma Caravana que reuniu equipes de Parelheiros, M’Boi Mirim e Capela do Socorro ao longo de um dia inteiro de bola rolando.
Conforme as horas passavam, a sensação era de que cada partida conversava com a anterior. Um gol de falta aqui, uma cabeçada após escanteio ali, um pênalti decisivo mais tarde. Quando alguém achava que já tinha visto de tudo, aparecia outro lance para entrar na conversa da semana.
Foi também uma rodada em que a bola parada resolveu muita coisa. Vários dos gols nasceram justamente desses momentos em que o jogo parece congelar por alguns segundos antes de explodir novamente. A barreira se organiza. A arquibancada prende a respiração. O cobrador toma distância. E, de repente, a história muda de rumo.
Mas nem só de bola parada viveu o sábado. Teve goleada construída com autoridade, dois hat-tricks para entrar na conversa da semana, empate buscado na insistência e partidas tão equilibradas que pareciam se recusar a escolher um vencedor.
No fim das contas, o que aconteceu foi algo que a Taça Cidade de São Paulo conhece bem. Durante algumas horas, bairros inteiros se encontraram em torno de um campo de futebol. Cada equipe carrega seu uniforme, sua torcida, suas referências e sua maneira de jogar. E, como quase sempre acontece por aqui, algumas dessas histórias merecem ser contadas com calma.
Sub-11 | GR Esperança 1 x 2 E.F. Os Caveirinhas

Uma falta, um empate rápido e uma cabeçada para decidir a manhã
O primeiro jogo do dia parecia seguir um roteiro bem definido. O Caveirinhas entrou mais organizado, ocupando melhor os espaços e controlando a posse de bola desde os minutos iniciais. O Esperança encontrava dificuldades para sair jogando e via o adversário empurrar a partida para perto da sua área.
A recompensa veio em uma cobrança de falta. Luan Marques, camisa 5, colocou a bola por cima da barreira e abriu o placar em um daqueles lances que mudam o humor de um jogo inteiro. Mesmo em vantagem, o Caveirinhas continuou encontrando poucos espaços. A partida ficou truncada, muito disputada no meio-campo e com poucas oportunidades claras.
Só que o futebol de base tem uma característica bonita: ninguém avisa para as crianças quando um jogo está perdido. Logo no início do segundo tempo, Felipe Neri, camisa 10, apareceu para empatar e recolocar o Esperança na partida. O gol mudou a atmosfera do campo. Pela primeira vez o confronto parecia aberto.
Mas quando tudo indicava que o empate seguiria até o fim, surgiu mais uma bola parada. Gabriel, camisa 13, levantou na área e José Levi, camisa 20, apareceu de cabeça para recolocar o Caveirinhas em vantagem. Foi o lance que decidiu a partida e garantiu a vitória por 2 a 1.
Sub-13 | GR Esperança 1 x 0 E.F. Os Caveirinhas

Quando os goleiros resolvem transformar o jogo em duelo particular
Se o Sub-11 teve três gols, o Sub-13 resolveu seguir pelo caminho oposto. Durante boa parte da partida, parecia que os ataques precisavam pedir autorização aos goleiros para balançar as redes.
O Caveirinhas teve ligeira superioridade no primeiro tempo, controlando mais a bola e encontrando algumas chegadas perigosas. Mas Miguel e Lorenzo estavam em manhã inspirada. Um salvou de um lado. O outro respondia do outro. E o placar seguia imóvel.
O segundo tempo continuou preso no meio-campo. As equipes encontraram dificuldades para construir jogadas e as defesas levaram vantagem sobre os ataques. Até que apareceu aquilo que já começava a virar personagem da rodada: a bola parada.
Diogo Batista, camisa 18, cobrou falta com categoria e marcou o único gol da partida. Nem Lorenzo, que vinha sendo um dos destaques do jogo, conseguiu evitar.
Depois disso, os dois goleiros ainda apareceram mais algumas vezes para impedir qualquer mudança no placar. E foi assim que o Esperança venceu por 1 a 0 um jogo em que as luvas brilharam quase tanto quanto a bola.
Sub-15 | GR Esperança 0 x 8 E.F. Os Caveirinhas

A tarde em que Léozinho comandou uma goleada daquelas
Toda rodada tem um jogo que acaba entrando na conversa da semana. No campo de Parelheiros, esse papel ficou para o Sub-15.
O Caveirinhas assumiu o controle desde os primeiros minutos e transformou a superioridade em gols ainda no primeiro tempo. Kauê Lucca abriu o placar após aproveitar um vacilo da defesa. Cafú ampliou depois de uma bola que insistiu em não sair da área. Miguel Otávio também deixou o dele. Antes do intervalo, Léozinho, camisa 10, converteu um pênalti e fechou a primeira etapa em 4 a 0.
Só que a equipe ainda não tinha terminado.
Na volta do intervalo, o Caveirinhas manteve a intensidade e seguiu criando oportunidades. Léozinho marcou novamente em um gol que sequer apareceu na transmissão, voltou a balançar as redes com um chute de fora da área e completou seu hat-trick em um contra-ataque bem construído.
Kauê Lucca ainda marcou mais uma vez para fechar o placar em 8 a 0.
Foi uma atuação coletiva muito forte, mas que acabou ficando marcada principalmente pelo camisa 10. Afinal, não é todo sábado que alguém sai de campo carregando três gols na conta.
Sub-17 | GR Esperança 1 x 1 E.F. Os Caveirinhas

O equilíbrio que apareceu no placar
Depois da avalanche de gols do Sub-15, o Sub-17 trouxe de volta um jogo mais estudado e equilibrado.
As duas equipes mostraram intensidade desde o início. O Caveirinhas tentava acelerar pelos lados. O Esperança apostava em uma construção mais organizada, mantendo a bola no chão e buscando espaços com paciência.
As chances apareceram para os dois lados, mas os goleiros fizeram sua parte. Kauã Francisco, conhecido como Chicão, apareceu bem para o Esperança. Do outro lado, Ryan Pietro também segurava o que chegava.
O primeiro gol saiu apenas na reta final do primeiro tempo. Fabian Ribeiro, camisa 10, converteu uma cobrança de pênalti e colocou o Esperança em vantagem.
Mas a partida ainda aguardava resposta. No segundo tempo, após uma cobrança de escanteio, a defesa afastou parcialmente e Murillo Marques, camisa 8, aproveitou a sobra para empatar.
O 1 a 1 acabou traduzindo bem o que foi o jogo: duas equipes competitivas, muito equilíbrio e poucas diferenças entre quem atacava e quem defendia.
Sub-17 | Agremiação Atlético Parelheiros 0 x 2 Esporte Clube Winners

Num jogo físico, o Winners aproveitou os momentos certos
A partida começou exatamente como se imaginava de um confronto entre equipes acostumadas a competir. Muita marcação, pouco espaço e disputas intensas por cada metro do campo.
O Atlético Parelheiros chegou a assustar primeiro, inclusive acertando o travessão em uma das melhores oportunidades da primeira etapa. Mas o jogo parecia caminhar para um empate sem gols.
Até que um pênalti mudou a história da tarde.
Samuel Celestino, camisa 10, cobrou com segurança e abriu o placar para o Winners. Pouco depois, João Pedro, camisa 11, recebeu dentro da área e finalizou cruzado para ampliar.
O Atlético ainda tentou reagir, mas encontrou um sistema defensivo sólido e boas intervenções do goleiro Matheus Alves, o Rato, que ajudou a segurar o resultado.
Sub-13 | Esporte Clube Winners 2 x 6 União Democrata

Uma reação que durou pouco e uma tarde inspirada de Rickelme
O último jogo da Caravana começou mostrando por que o União Democrata chegou tão forte àquela rodada. Logo aos primeiros minutos, Rickelme Juan, camisa 4, aproveitou o rebote após uma cobrança de bola parada e abriu o placar.
Pouco depois, Wallacy Vaz, camisa 11, fez aquilo que todo mundo gosta de ver no futebol de base: recebeu, encarou a marcação, passou pelo adversário e marcou um golaço para ampliar a vantagem.
O Winners tentou responder. Lutou pelo jogo. Correu atrás. Mas encontrou um adversário bastante organizado e que soube controlar os espaços durante boa parte do primeiro tempo.
Na volta do intervalo, o confronto ganhou um pouco mais de emoção. Davi Alves, camisa 9, roubou a bola e finalizou cruzado para diminuir a diferença. Por alguns minutos, parecia que o jogo poderia mudar de rumo.
Mas o União respondeu rapidamente. Angel Miguel, camisa 7, acertou uma finalização de fora da área para marcar o terceiro. Depois, Rickelme voltou a aparecer duas vezes, sempre atento às sobras dentro da área, mostrando aquele instinto que todo artilheiro gosta de carregar.
O Winners ainda encontrou forças para marcar mais uma vez com Davi Alves, camisa 9, aproveitando uma sobra após cobrança de escanteio. Só que a equipe de M’Boi Mirim continuou aproveitando melhor as oportunidades.
Enzo Felippe, camisa 14, deixou o dele em uma jogada de bate-rebate dentro da área e, pouco depois, Rickelme completou seu hat-trick para fechar o placar em 6 a 2.
Foi uma daquelas atuações em que o resultado nasceu menos da quantidade de ataques e mais da capacidade de transformar oportunidades em gol. E, no fim da tarde, ninguém simbolizou melhor isso do que Rickelme, camisa 4, que saiu de campo com três gols na conta e a certeza de ter sido um dos grandes nomes da rodada.
E assim terminou mais uma Caravana da Taça Cidade de São Paulo. Entre faltas bem cobradas, cabeçadas decisivas, goleiros inspirados, dois hat-tricks e goleadas para entrar na conversa da semana, a Zona Sul mostrou mais uma vez que o futebol de base continua produzindo exatamente aquilo que o futebol brasileiro sempre gostou de contar: histórias.


