Tem lugar em São Paulo onde o futebol parece acontecer mais perto da origem das coisas. A Arena Cratera VG é um desses lugares. Lá no extremo Sul da cidade, em Vargem Grande Colônia, o campo fica dentro da Cratera de Colônia, uma das formações geológicas mais curiosas da capital paulista, criada há milhões de anos pelo impacto de um corpo celeste.
O detalhe parece inventado, mas é real: Colônia é uma das duas únicas crateras de impacto habitadas do mundo, ao lado de Ries, na Alemanha. Por isso, antes de virar bairro, antes de virar rua, antes de virar cidade, aquilo ali já carregava a marca de um impacto vindo do céu. Talvez por isso continue sendo um lugar onde tanta estrela começa a aparecer.
No sábado, dia 09 de maio, no meio desse pedaço de São Paulo, uma molecada atravessou a semana inteira aguardando chegar o sábado. E a rodada fez jus a essa espera.
Começou com goleada logo cedo no Sub-11, com direito a golaço e dancinha na comemoração. Aí teve jogo truncado e decidido nos detalhes no Sub-13. O Sub-15 entregou virada, pênalti e partida quente até o fim. No Sub-17, o Complexo Jardim Niterói resolveu cedo e administrou a vantagem, enquanto o último jogo do dia ainda teve pressão, falta perigosa, arquibancada barulhenta e até árbitro pedindo para abaixarem o carro de som.
Porque a Taça Cidade de São Paulo é assim: cada campo vira um pequeno universo de histórias ao longo do sábado. E algumas delas merecem ser contadas com calma. É o que faremos a seguir.
Sub-11 | O sábado começou em ritmo de atropelo

O primeiro jogo do dia mal tinha encaixado os primeiros minutos e o Grêmio Phoenix VG já mostrava que queria controlar a manhã. O Jardim Noronha até tentou responder em algumas escapadas ofensivas, mas o Grêmio conseguiu ocupar o campo inteiro muito cedo e transformou a partida num ataque constante.
Lucas, camisa 10, abriu o placar em cobrança de pênalti. Depois veio Pedro, camisa 11, aproveitando contra-ataque para marcar um golaço. Pouco depois, Ismael apareceu livre para ampliar e ainda mandou dancinha na comemoração, dessas que fazem o banco inteiro explodir junto.
O segundo tempo seguiu no mesmo ritmo. Lucas voltou a assustar, Bernardo marcou de fora da área, Riquelme ampliou e Leonardo fechou o placar em 6 a 0.
E talvez exista uma cena que explique bem o futebol de base brasileiro: enquanto o jogo acontecia,vários meninos menores acompanhavam tudo atrás do alambrado, repetindo drible no ar e ensaiando comemoração antes mesmo de entrar em campo. No futebol brasileiro, o próximo jogo quase sempre começa antes do atual terminar.
Sub-13 | Quando o jogo trava e cada detalhe começa a pesar

O Sub-13 mudou completamente a temperatura do campo. Se o primeiro jogo foi aberto e acelerado, o segundo começou estudado, mais físico e muito equilibrado. Grêmio Phoenix VG e Jardim Noronha fizeram um primeiro tempo de poucas chances claras, muito marcado pela atuação dos goleiros e pela dificuldade de encontrar espaço.
Victor apareceu bem segurando finalização perigosa pela lateral. Paulo respondeu do outro lado após chute forte de João Victor. Em um dos lances mais bonitos da partida, Igor salvou praticamente em cima da linha uma bola que já parecia entrar.
O Grêmio Phoenix voltou melhor no segundo tempo e passou a controlar mais as ações ofensivas. Taylor arriscou duas vezes de fora da área. Miguel também levou perigo. Mas futebol tem dessas coisas: às vezes o time que mais insiste não é o que consegue decidir.
Pablo aproveitou a oportunidade que apareceu e abriu o placar para o Jardim Noronha. Depois, João ampliou em cobrança de bola parada e garantiu a vitória. Foi aquele típico jogo em que o placar nasce muito mais da paciência e do detalhe do que da quantidade de chances criadas.
Sub-15 | O jogo mais quente da manhã

No Sub-15, a rodada ganhou outra cara. O jogo entre Grêmio Phoenix VG e Complexo Jardim Niterói/Instituto ICIS começou equilibrado, mas já carregando um nível de intensidade diferente. Mais contato físico, mais velocidade e mais disputa por cada bola.
Jonas abriu o placar de cabeça após cobrança de escanteio muito bem executada. O Grêmio respondeu, equilibrou a partida e o primeiro tempo terminou empatado. Só que o segundo tempo mudou tudo rapidamente.
O Complexo Jardim Niterói voltou mais agressivo e virou o jogo logo nos minutos iniciais. Depois, um pênalti cometido pelo goleiro Kaíque aumentou ainda mais a pressão da partida. Gabriel converteu a cobrança e ampliou a vantagem.
O Grêmio ainda conseguiu diminuir e tentou crescer emocionalmente dentro do jogo, mas o Niterói respondeu rápido e marcou mais uma vez, fechando a vitória por 4 a 2.
Foi uma partida de muita troca de controle, dessas em que o jogo parece escapar e voltar ao mesmo tempo o tempo inteiro.
Sub-17 | O Complexo Jardim Niterói resolveu cedo

No Sub-17, o Complexo Jardim Niterói entrou em campo sem intenção de deixar o jogo crescer. Em poucos minutos, o time já tinha construído uma vantagem importante e mudado completamente a atmosfera da partida contra o Grêmio Phoenix VG.
Gustavo abriu o placar logo cedo. Depois veio um golaço de Gabryel , praticamente da linha de fundo, num chute que surpreendeu o goleiro. Pouco depois, Luiz #8 marcou em cobrança de pênalti.
O Grêmio até conseguiu reorganizar melhor a equipe no segundo tempo e passou a competir mais ofensivamente. Erick quase marcou em chute cruzado, enquanto Higor aparecia em sequência com boas defesas para impedir um placar ainda maior.
Mas o controle da partida já estava nas mãos do Niterói. Depois de mais uma defesa difícil, a bola sobrou para Enzo ampliar para 4 a 0 e praticamente encerrar qualquer possibilidade de reação.
Mesmo assim, o Grêmio seguiu tentando atacar até o fim, sustentado muito mais pelo orgulho competitivo do que pela situação do placar.
Sub-17 | O último jogo ainda guardava barulho, pressão e confusão boa de várzea

Quando Escolinha Para Tudo Mirim e União Democrata entraram em campo, o sábado já tinha aquela cara clássica de rodada longa: arquibancada cansada, comissão técnica rouca e muita gente que chegou cedo mas decidiu ficar até o último apito.
E o jogo entregou exatamente o que prometia.
Deryck abriu o placar para o União Democrata após sobra de bola na área. A Escolinha respondeu rápido com Arthur Oliveira, que empatou em chute que acabou passando entre as pernas do goleiro. Depois disso, o jogo ficou completamente aberto.
Ryan quase marcou em bela finalização. Wesley insistiu bastante até finalmente deixar o dele. Victor apareceu bem após cruzamento na área. E Luís Fernando marcou em cobrança de falta para ampliar a vantagem do União Democrata.
No meio da partida, ainda teve uma cena inusitada: o árbitro precisou interromper o jogo para pedir que diminuíssem o volume do carro de som que estava atrapalhando a comunicação em campo.
Negueba, mesmo sem marcar, acabou sendo um dos nomes mais comentados da partida pela movimentação ofensiva e participação constante nas jogadas. E assim terminou mais um sábado da Taça Cidade de São Paulo: com gol, grito, correria, pressão, resenha na arquibancada e aquela sensação de que, em algum canto da cidade, o futebol brasileiro continua exatamente onde sempre esteve.



