Do 0 ao 6: no Tatuapé, teve um pouco de tudo

Se alguém perguntasse como foi a Caravana da Taça Cidade de São Paulo no CE Tatuapé, no sábado, 3 de outubro, a resposta mais justa seria:

teve um pouco de tudo.

Mas tudo mesmo.

Teve masculino e feminino. Sub-11, Sub-15 e Sub-17. Teve 16 avos, oitavas e quartas de final acontecendo no mesmo dia. E até os placares entraram na mistura: fomos do 0 a 0 ao 6 a 0.

Só que nem o zero foi exatamente tranquilo. Um deles precisou dos pênaltis para decidir quem avançava. E, entre uma partida e outra, ainda apareceram golaço no ângulo, gol de cobertura, expulsões, uma reação de 3 a 0 para 3 a 2 e até jogador que perdeu pênalti e depois voltou para marcar o gol da vitória.

Então pega seu lanche e senta aqui.

Porque tem bastante coisa para contar.

SMEJ Cotia – 0 (1) x (3) 0 – Tossan F.C. | Sub-11

Primeiro jogo do dia e já começamos com aquele clássico:

a bola simplesmente não quis entrar.

No primeiro tempo, o Tossan ficou mais com ela e tentou construir principalmente pelas laterais. No segundo, foi o Cotia que voltou melhor e passou a atacar mais.

Mudaram os protagonistas.

O placar?

Nem ligou.

0 a 0.

E aí não teve conversa: a decisão foi para os pênaltis.

Foi quando Alexandre resolveu que finalmente tinha chegado a hora dele aparecer nessa história.

O goleiro do Tossan defendeu duas cobranças, viu outra tentativa do Cotia ir para fora e ajudou a equipe a vencer a disputa por 3 a 1.

Passagem de fase garantida e, sem grandes surpresas, Alexandre terminou como destaque da partida.

Ficou 0 a 0 durante o jogo inteiro para o goleiro roubar a cena justamente no final. Entendemos o roteiro.

GR Soccer Academy Portuguesa 0 x 2 ACES / Votoraty | Sub-15

A Portuguesa começou com mais posse de bola e chegando ao ataque.

Só tinha um pequeno detalhe: estava com um jogador a menos.

A igualdade numérica só veio por volta dos 17 minutos, quando o atleta que faltava chegou.

Sim, essa informação é importante para nossa história.

Enquanto isso, o ACES / Votoraty foi equilibrando a partida e, perto dos 24 minutos, aproveitou uma bola parada. A bola sobrou para Miguel Pereira, que bateu forte e abriu o placar.

No segundo tempo, a Portuguesa teve uma chance daquelas de colocar fogo no jogo: Alyson ficou de frente para o goleiro.

Mandou para fora.

E pouco depois veio a resposta que ninguém do outro lado queria.

Breno encontrou Kayque Eduardo no meio da área e ele fez o segundo.

2 a 0.

A Portuguesa continuou tentando, abriu mais espaços para buscar o gol, mas o ACES controlou a vantagem até o fim. Miguel Pereira, autor do primeiro, ficou com o destaque da partida.

ATA Brigadeiro 0 x 6 PS9 – JUG | Sub-17 Feminino

Aqui a gente precisa começar avisando:

o PS9 estava com assunto.

Antes dos dez minutos, Gabi arriscou de fora da área e abriu o placar.

Depois apareceu Carol Guerra.

Primeiro, roubou a bola, partiu para cima e fez o segundo.

Três minutos depois?

Gol dela de novo.

Dessa vez, de cabeça.

E assim o PS9 foi para o intervalo vencendo por 3 a 0, com Carol claramente flertando com a possibilidade de um hat-trick.

O terceiro dela não veio.

Mas aparentemente as companheiras resolveram que poderiam ajudar com os gols restantes.

Gabi aproveitou uma bola que sobrou e fez seu segundo na partida.

Depois foi a vez de Bianca Antunes, a Fofão, entrar na conversa.

Um gol.

E logo depois, outro.

6 a 0.

Gabi com dois. Carol com dois. Bianca com dois.

Organizadas até nisso.

O resultado colocou o PS9 – JUG nas semifinais, com Carol Guerra escolhida como destaque da partida.

Projeto de Formação Veleiros 4 x 2 Clube Pequeninos do Meio Ambiente | Sub-15

Olha, esse aqui merece atenção porque o placar tentou contar duas histórias completamente diferentes.

Na primeira, o Veleiros estava tranquilíssimo.

Nícolas Vieira abriu o placar. Depois, em uma jogada ensaiada de bola parada, Denilson Viana mandou no ângulo.

E antes do intervalo ainda teve pênalti convertido por Guilherme Quintão.

3 a 0.

Parecia resolvido?

Parecia.

Aí começou o segundo tempo.

Com pouco mais de um minuto, Enricco de Morais recebeu no ataque e, na saída do goleiro, mandou por cima dele.

Gol de cobertura.

3 a 1.

Depois Enricco roubou uma bola da defesa e marcou de novo.

3 a 2.

Oi?

O jogo que tinha ido para o intervalo em 3 a 0 estava oficialmente a um gol do empate.

E ainda faltava confusão.

Depois de empurrões, um jogador de cada equipe acabou expulso. O Pequeninos seguiu atrás do empate, mas quem encontrou a rede novamente foi o Veleiros: nos minutos finais, Bryan Alves aproveitou o contra-ataque e fez o quarto.

4 a 2.

Vitória do Veleiros, Denilson como destaque e uma importante lembrança para todos nós:

nunca declare uma fofoca encerrada no intervalo.

IAS União 1 x 0 AFIP | Sub-17

Sabe aquele jogo em que acontece uma coisa logo no começo e depois todo mundo passa o resto da partida tentando desfazer o que aconteceu?

Esse.

Antes dos dez minutos, o AFIP cometeu pênalti.

Vitor Assis foi para a cobrança e fez 1 a 0 para o União.

Pronto. Estava lançado o problema que o AFIP passaria o restante do jogo tentando resolver.

A partida seguiu pegada. O AFIP buscou o empate, mas encontrou dificuldades para passar pela marcação. Do outro lado, o União também chegou ao ataque e esbarrou na defesa e no goleiro adversário.

O tempo passou.

O 1 a 0 ficou.

E já no final, o próprio Vitor Assis, autor do único gol, acabou expulso.

Pouco depois, apito final.

Às vezes a resenha não precisa de seis gols. Um pênalti aos sete minutos já consegue sustentar uma partida inteira.

Vila Moraes 1 x 0 Aliança Arsports | Sub-17

E chegamos ao último jogo.

Por favor, acompanhe o roteiro.

Logo no começo, pênalti para o Vila Moraes.

Júlio foi para a cobrança.

O goleiro do Aliança defendeu.

Então guardem esta informação: Júlio perdeu o pênalti.

O Vila Moraes continuou atacando, criando volume, mas sem conseguir transformar isso em gol. E o primeiro tempo terminou 0 a 0.

No segundo, a partida ficou mais truncada.

E aí quem apareceu?

Ele mesmo.

Júlio.

O jogador que tinha perdido a chance de abrir o placar foi justamente quem marcou o gol que decidiu a partida.

1 a 0 para o Vila Moraes.

Perdeu o pênalti.

Voltou.

Fez o gol da vitória.

A Taça adora um arco de redenção.

Do 0 ao 6 e um monte de história no meio

No fim das contas, talvez o melhor resumo do sábado no CE Tatuapé esteja justamente nos extremos.

A Caravana viu jogo terminar sem nenhum gol e viu outro terminar com seis.

Mas, no meio desse caminho, o que apareceu foi muito mais difícil de colocar numa tabela: goleiro decidindo nos pênaltis, time reagindo quando parecia tudo resolvido, golaço, cobertura, expulsão e jogador tendo a chance de reescrever a própria história dentro da mesma partida.

Masculino, feminino. Três categorias. Três momentos diferentes do mata-mata.

Foi um pouco de tudo.

E é por isso que a Caravana continua rodando São Paulo: porque entre o 0 e o 6 cabe história para caramba.