A Aclimação ficou pequena, nem a chuva parou elas



Sabadão amanheceu com aquele céu cinza que dá preguiça só de olhar. Mas quem está na Taça não pode vacilar um segundo e mesmo aquela chuva não era rival à altura da força do futebol feminino que entrou em campo para arrebentar tudo.

Logo cedo, o Estádio Municipal Jack Marin, na Aclimação, já estava aceso. E a Caravana da Taça Cidade de São Paulo chegou à região central da capital para acompanhar a potência de quem acorda cedo para brilhar mesmo debaixo d’água.

Equipes de Pirituba, Itaquera, Butantã, Vila Mariana, Lapa e São Miguel Paulista atravessaram a capital para estar em campo. As atletas de Sorocaba e Leme, no interior paulista, estavam desde a madrugada na estrada.

Infelizmente, o jogo das 8h entre Rede Olímpica/Instituto Movimento e C.A.E. Liberdade foi adiado depois de um problema no transporte impedir a chegada de uma das equipes a tempo da partida. O confronto será remarcado. Horas depois, o último jogo do dia, entre Centro Olímpico e Lemense pelo Sub-17 Federadas, também acabou cancelado.

Mas, no meio desses imprevistos todos, com chuva e tudo, a bola rolou. E rolou, viu. 

Goleada construída na intensidade logo cedo? Teve. Partida dominada pelas goleiras? Teve também. 

Teve tudo, porque o futebol feminino brasileiro tem uma coisa que nenhum placar consegue medir direito: entrega.

E a gente entrega tudo aqui também para você ficar por dentro dessa rodada.

Sub-11 | Helenense FC 6 x 0 Meninas em Campo

O primeiro jogo do dia que realmente aconteceu já começou em ritmo acelerado. O Helenense tomou conta da partida desde cedo, pressionando alto e ocupando praticamente todos os espaços ofensivos do campo. Luara abriu o placar logo no começo, aproveitando sobra dentro da área e mostrando oportunismo de atacante que acompanha o lance até o fim.

Depois veio a atuação dominante de Laís. A camisa 10 comandou o ataque do Helenense o jogo inteiro. Marcou um gol em chute cruzado rasteiro, depois aproveitou sobra em cobrança de escanteio para ampliar e ainda fechou sua atuação com mais um gol na segunda etapa. 

Enquanto isso, o Meninas em Campo encontrava muita dificuldade para sair jogando e criar perigo ofensivo. Mesmo assim, a equipe seguiu tentando competir até o fim, principalmente através da goleira Nicolly, que ainda evitou um placar mais elástico com defesa importante nos minutos finais.

O 6 a 0 nasceu muito da intensidade ofensiva do Helenense, mas também da atuação de Laís, que praticamente conduziu o ritmo do jogo inteiro. Com nove anos, três gols na conta, tá bom, né? Ela acha e nós também. 

Sub-15 | Helenense FC 1 x 4 Meninas em Campo

O segundo jogo mudou completamente a atmosfera da manhã. A partida começou com atraso, a chuva apertava em alguns momentos e o campo já dava sinais de desgaste. Mesmo assim, o Meninas em Campo entrou jogando em intensidade máxima.

Ana Clara abriu o placar logo cedo aproveitando a saída da goleira e finalizando com categoria. Pouco depois, marcou novamente e transformou o bom começo da equipe em domínio claro da partida.

Rebecca ainda tentou ampliar em finalizações de longa distância, enquanto Ryara acertou a trave após sobra de escanteio. Do outro lado, Manoela trabalhou bastante no gol do Helenense. A goleira precisou aparecer diversas vezes para impedir que o placar crescesse ainda mais cedo.

Na segunda etapa, o Meninas em Campo continuou controlando o jogo. Aghata ampliou depois de boa infiltração na área. O Helenense ainda conseguiu diminuir em bela cobrança de falta de Ana Clara, mas Lorena fechou o 4 a 1 em contra-ataque rápido já perto do fim.

Foi uma vitória construída muito mais na intensidade e no volume ofensivo do que apenas no placar.

Sub-15 Federadas | Centro Olímpico 3 x 0 Lemense

Talvez nenhum jogo tenha representado tão bem o espírito daquele sábado quanto Centro Olímpico e Lemense. Porque chovia bastante. O campo já estava pesado. E, mesmo assim, as duas equipes seguiram atacando.

O primeiro tempo começou equilibrado, com o Lemense conseguindo responder bem às investidas ofensivas do Centro Olímpico. Em determinado momento, Manuela chegou até a balançar as redes, mas o lance acabou anulado por toque de mão na origem da jogada.

Aos poucos, porém, o Centro Olímpico começou a transformar sua superioridade técnica em vantagem no placar.

Kyara abriu o marcador aproveitando sobra dentro da área. Depois, Raquel ampliou após vacilo defensivo. Mesmo atrás no placar, o Lemense seguia tentando competir e encontrou na muralha Aghata Sofia um dos grandes destaques da partida.

A goleira acumulou grandes defesas ao longo do confronto, impedindo que a diferença aumentasse ainda antes do fim.

Só que, já nos minutos finais, Sophia Salasar acertou um chute fortíssimo para marcar um golaço e fechar o 3 a 0. E talvez tenha sido o lance perfeito para encerrar uma partida jogada praticamente debaixo d’água sem que ninguém deixasse a intensidade cair.

Sub-13 | Centro Olímpico 0 x 0 Desportivo Sorocaba


O último jogo do dia que realmente aconteceu foi completamente diferente dos anteriores. Se nos outros confrontos sobraram gols, aqui sobraram disputa, marcação forte e trabalho das goleiras.

Centro Olímpico e Desportivo Sorocaba fizeram uma partida muito equilibrada, travada no meio-campo e cheia de dificuldade para encontrar espaço ofensivo.

Ana apareceu duas vezes logo cedo saindo nos pés da atacante e impedindo o gol do Sorocaba. Do outro lado, Laura também acumulava boas intervenções e segurava as tentativas do Centro Olímpico.

A melhor chance do primeiro tempo talvez tenha sido a cobrança de falta de Jhenifer Gomes, que acertou o travessão e quase abriu o placar em um dos poucos momentos em que a arquibancada realmente levantou junto.

No segundo tempo, o cenário continuou parecido. Raphaela ainda tentou algumas finalizações perigosas, mas as defesas seguiam levando vantagem sobre os ataques.

O 0 a 0 talvez não tenha sido o placar mais chamativo da rodada. Mas foi um daqueles jogos que mostram outra coisa importante sobre futebol de base: nem toda partida memorável precisa ser construída só em cima de gols.

Entre chuva forte, goleadas, grandes defesas e até jogos cancelados pelo caminho, o futebol feminino mostrou mais uma vez que sabe seguir em frente mesmo quando o cenário parece jogar contra.

E talvez isso diga muito sobre o momento da modalidade: enquanto o Brasil se prepara para receber a Copa do Mundo Feminina de 2027 e o mundo acompanha clubes lotando finais de Champions, a base segue pulsando forte nos campos espalhados por São Paulo.

A temporada do futebol feminino apenas começou e a Caravana da Taça continua sua peregrinação pela cidade atrás das próximas histórias que ainda vão nascer dentro das quatro linhas.