O C.E. Tatuapé entregou o pacote completo: gol olímpico, 7 a 1 e futebol até o último minuto

Vocês, paulistanos da nata, sabem que, na Cidade de São Paulo, existem lugares onde o sábado começa antes do sol raiar. Pois é: na Zona Leste, em dia de Caravana da Taça, começa quando o primeiro portão do campo abre.

Foi exatamente assim no dia 16 de maio, no C.E. Tatuapé. Ao longo das sete partidas do dia, o campo virou ponto de encontro de bairros inteiros, carregando suas próprias histórias, rivalidades, sotaques e maneiras de viver o futebol.

De um lado, equipes de Sapopemba. Do outro, times do Tatuapé, Carrão e Anália Franco. Tudo isso atravessado por uma coisa que São Paulo entende como poucas cidades no mundo: futebol também é território.

A rodada teve de tudo. Teve jogo controlado desde cedo. Teve uma virada construída na pressão. Teve uma goleada daquelas que fazem a arquibancada rir de nervoso lembrando certos traumas do futebol brasileiro. E, no fim da tarde, um golaço olímpico que provavelmente ainda segue sendo assunto.

Porque a Taça Cidade de São Paulo é assim: cada rodada parece deixar um pedaço novo da cidade dentro do campo. E algumas dessas histórias merecem ser contadas com calma.


Sub-13 | Teleatlas Tatuapé 0 x 1 Seleção Jardim Dona Sinhá

Antes mesmo da bola rolar, o jogo já tinha produzido uma das imagens mais importantes do sábado. As equipes entraram em campo carregando bandeiras em manifestação contra o racismo e a violência contra a mulher, lembrando que o futebol de base também forma consciência antes mesmo de formar jogadores.

Quando a partida começou, porém, o Dona Sinhá rapidamente mostrou que queria controlar o ritmo do jogo. A equipe ocupou o campo ofensivo desde cedo, pressionando bastante e criando as melhores oportunidades da manhã.

Vitor apareceu bem em algumas defesas importantes pelo Teleatlas, segurando chute perigoso e evitando que o placar abrisse logo nos primeiros minutos. Só que, aos 15, Messinho recebeu dentro da área e bateu cruzado para fazer o único gol da partida.

A partir daí, o Dona Sinhá passou a jogar com maturidade. Controlava a posse quando precisava, acelerava nos contra-ataques e pressionava a saída de bola adversária sem deixar o Teleatlas respirar com tranquilidade.

Enzo Gaspar foi um dos jogadores mais participativos do jogo inteiro, aparecendo bastante na movimentação ofensiva e incomodando a defesa adversária o tempo todo.


Sub-15 | Teleatlas Tatuapé 1 x 5 Seleção Jardim Dona Sinhá

O placar do primeiro tempo até mostrava equilíbrio, mas quem estava acompanhando o jogo percebia que o Dona Sinhá já criava muito mais perigo.

Bryan acertou a trave logo no começo cara a cara com o goleiro. Gomes levou perigo em cobrança de falta. E Wendel marcou um golaço por cobertura ao perceber o goleiro adiantado.

Mesmo assim, o Teleatlas conseguiu sobreviver ao momento mais forte do adversário e buscou o empate no fim da primeira etapa com Dudú brigando firme pela bola dentro da área.

Só que aí veio o segundo tempo e o jogo mudou completamente de tamanho.

Logo nos primeiros minutos, o Dona Sinhá ganhou pênalti. Gomes cobrou com categoria e recolocou a equipe na frente. O gol abriu espaço para um domínio ainda maior. O time passou a controlar posse, ritmo e pressão praticamente o tempo inteiro.

Gomes voltou a marcar aproveitando sobra na área. Cauã ampliou em chute rasteiro e forte. E Bryan fechou a goleada com um belo chute de fora da área.

O empate durou um tempo. O domínio do Dona Sinhá durou o jogo inteiro.

Sub-17 | Teleatlas Tatuapé 1 x 0 Ronaldo Academy


Depois de duas partidas agitadas, o Sub-17 trouxe outro tipo de atmosfera para o campo. Foi um jogo mais tenso, mais equilibrado e daqueles em que cada erro parecia pesado demais.

As duas equipes alternavam ataques rápidos e boas chegadas ofensivas. Luca salvou o Ronaldo Academy em defesa à queima-roupa no fim do primeiro tempo. Do outro lado, Matheus aparecia segurando a pressão nos momentos mais difíceis do Teleatlas.

O gol saiu apenas na segunda etapa.

Depois de um vacilo defensivo e um choque entre goleiro e atacante, a bola sobrou limpa para Bryan empurrar para o fundo das redes e colocar o Teleatlas em vantagem.

A partir daí, o Ronaldo Academy cresceu muito dentro da partida. Gabriel acertou o travessão em cobrança de falta. Thiago levantou bola perigosa na área nos minutos finais. E Gabriel ainda teve a última grande chance do jogo, novamente parando em defesa importante de Matheus.

O Teleatlas segurou a pressão até o fim e confirmou uma vitória construída muito mais na concentração e na resistência defensiva do que no volume ofensivo.

Sub-15 | Azzurra 1 x 3 Ronaldo Academy


No começo da tarde, o C.E. Tatuapé ganhou outro cenário. Mais gente chegando, mais barulho na arquibancada e aquela sensação típica de confronto entre bairros da Zona Leste.

A Azzurra começou melhor e abriu o placar cedo com Arthur, subindo bem após bola levantada na área. O time mantinha mais posse de bola, pressionava no ataque e parecia mais próximo do segundo gol do que de sofrer o empate.

Só que o Ronaldo Academy voltou diferente para o segundo tempo.

Pedro aproveitou vacilo defensivo para empatar e mudou completamente o clima do jogo. Pouco depois, Jesse virou a partida e colocou o Ronaldo Academy emocionalmente dentro do confronto.

A Azzurra ainda tentou reagir, mas encontrou dificuldade para atravessar a defesa adversária. No fim, Lucas P. apareceu bem pela esquerda e fechou a vitória por 3 a 1.

Boa parte da reação passou pelas defesas importantes de Diego, que segurou a pressão da Azzurra no primeiro tempo e manteve o time vivo até o momento da virada.

Sub-13 | Azzurra 6 x 0 Ronaldo Academy

O Sub-13 começou em ritmo tão forte que o jogo praticamente se desenhou antes mesmo do intervalo.

A Azzurra pressionava alto, acelerava pelas laterais e finalizava com muita eficiência. Diamantino abriu o placar cedo aproveitando rebote dentro da área. Depois vieram Rian, Lorenzo, Erik e Miguel, construindo uma vantagem larga ainda no primeiro tempo.

O Ronaldo Academy até tentava responder, mas a pressão ofensiva da Azzurra era constante.

No segundo tempo, o cenário continuou praticamente igual. O placar terminou em 6 a 0, mas poderia ter sido ainda maior sem a atuação de Samuel, goleiro do Ronaldo Academy, que acumulou grandes defesas e evitou uma goleada mais pesada.

Rian e Miguel participaram bastante das principais jogadas ofensivas da equipe, enquanto Erik marcou um dos gols mais bonitos da partida em chute de fora da área.

Sub-11 | Azzurra 7 x 1 Ronaldo Academy


Tem placar que ativa memória automática no futebol brasileiro. E quando a Azzurra abriu vantagem cedo no Sub-11, teve muita gente na arquibancada olhando para o placar e rindo de nervoso.

No fim, ficou em 7 a 1. Mas, dessa vez, o clima era completamente diferente.

A Azzurra jogou em intensidade máxima desde o começo. Guilherme abriu o placar logo nos primeiros minutos. Daniel marcou duas vezes. Brenno aproveitou sobra após escanteio. João Lucas, Enzo Índio e Pedro também deixaram os seus.

Do lado do Ronaldo Academy, Isac ainda marcou um belo gol em chute de fora da área, mas o volume ofensivo da Azzurra era difícil de acompanhar.

E talvez o mais curioso desses jogos no futebol de base seja justamente isso: mesmo quando o placar já parece resolvido, ninguém tira o pé. Cada jogada continua sendo uma tentativa de deixar o próprio nome marcado no sábado.

Sub-17 | Azzurra 2 x 3 Grêmio Santo Alberto

O último jogo da rodada guardou o melhor roteiro do dia.

Azzurra e Grêmio Santo Alberto fizeram uma partida intensa, movimentada e cheia de mudança emocional. Guilherme H. abriu o placar para a Azzurra em uma pancada de fora da área logo no começo. O Grêmio respondeu ainda no primeiro tempo com Pedro H. empatando de cabeça.

Na volta do intervalo, Pedro O. colocou a Azzurra novamente na frente em um belo giro dentro da área.

Só que o jogo ainda estava longe de acabar.

Felipe “Doguinha” empatou após roubada de bola no ataque e recolocou o Grêmio na partida. Poucos minutos depois, veio o lance que provavelmente ainda estava sendo comentado na arquibancada enquanto o campo esvaziava.

Otávio marcou um golaço olímpico, direto da cobrança de escanteio, virando o jogo para o Grêmio Santo Alberto.

Até o fim, a partida continuou aberta, com pressão dos dois lados e grandes defesas dos goleiros. Caíque ainda apareceu bem nos minutos finais para segurar o resultado e confirmar a vitória por 3 a 2.

E talvez nenhum outro jogo tenha resumido tão bem a alma da Taça naquele sábado: futebol jogado no limite, arquibancada vivendo cada lance e a Zona Leste inteira transformando um campo em ponto de encontro da cidade.